Conheça as atrações do Caruru dos 7 Poetas

 Alan Félix é soteropolitano, tem 27 anos, graduado em  história pela UFRB. Nos últimos anos tem participado dos  grupos de poesia OPIO (Organização dos Poetas Internautas  Online) e CLAE (Circulo Literário Analítico Experimental).  Organizador do Sarau Literarua – Uruçuca/BA. Participou com  menção honrosa da Antologia "O diferencial da favela: poesias  quebradas de quebrada", da Antologia Poética: prêmio Sarau  Brasil e publicou o poemário "Fragmentos íntimos" na Edições  Oju Aiyê da Casa de Barro. Muitos de seus poemas podem ser  lidos no blog Viveiro de Versos 

 

 

 

YEMANJÁ

 

Quais os segredos

migram do teu mar

Iemanjá.

 

Fevereiro

é tempo de flores

voando nas ondas do mar.

 

É tempo de banhar-se

em suas águas

e saudar com cânticos.

 

Odo Iyá.

Odo Iyá.

Odo Iyá.

 

No abebê (olhos marítimos)

refletem o azul do celeste,

e as águas viram espelho de deus.

 

 

Martha Galrão, poetisa baianaMartha Galrão nasceu em Salvador, Bahia. Participou das antologias poetas@independentes(2007) e pórtico 3 (2009). É autora de A Chuva de Maria (Kalango, 2011), Muadiê Maria, Coleção Cartas Bahianas (P55 Edições, 2013) e Um rio entre as ancas, Coleção Pedra Palavra (2013). 

 

 

Vou ali chorar e volto.
Juntarei minhas mãos em concha
depositarei lágrimas, com cuidado, até as bordas
e entregarei à terra.
Desse encontro vingará
a cabeceira do rio.

Seu leito não aceitará cuidados
pois é mais forte que eu.
Sulcos de lodo e segredos,
matas de alegria, pedras indomáveis,
sedimentos de saudade e amores mal acabados.

Amanhã chorarei de novo
depois de amanhã também
para alimentar seu curso
de água, sal, sofrimento.
Nesse rio caudaloso
banharei o transtorno, a urgência,
a virulência do sentimento.

Em sua foz,
um dia,
me deitarei
e morte.

 

Artista Visual e poetisa de Cachoeira (BA)Deisiane Barbosa é artista visual em graduação pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. Trabalha com Escrita Criativa na Casa de Barro, no projeto “Dedinho de Prosa. Cadinho de Memória”. Participa do projeto de pesquisa “Laboratório Corpo, Imagem e Convergência: processos poéticos no digital”, investigando a interdisciplinaridade e hibridismos entre artes visuais e literatura e desenvolvendo processos criativos em fotografia, videoarte e performance. Em 2012 foi premiada no I Concurso Universitário Latino-Americano de Literatura – UFVJM, pelo conto “A moça que desfiou”, apresentando em 2013 a performance de mesmo título no Salão de Artes Visuais da Bahia, em Feira de Santana. Foi premiada recentemente no Salão de Artes Visuais em Camaçari, com o trabalho de intervenção urbana “cartões-postais à Tereza/caixas de entrada”. Publicou em março deste ano o 10º poemário da Coleção Oju Aiye, “molusca & outros poemas de águadoce”, pela Portuário. Os eixos de sua poética envolve a identidade, alteridade e autoconhecimento como temas. Atualmente desenvolve o projeto artístico-literário “cartas à Tereza”, no qual explora a carta enquanto um gênero de ficção, disposto em desdobramentos visuais tais como arte postal, vídeos, livro de artista e outros. Endereço virtual: www.orabiscario.blogspot.com

 

não lavei os olhos
do sal que chorei 

não sequei o semblante
da mar que vazei

apenas verti o soluço 
desse cansaço guardado 

há tempos

 

 

Luar do Conselheiro_imagem_5

Luar do Conselheiro é poeta, escritor, compositor, autor, cantador, romancista, cordelista, roteirista, biógrafo e ligado a diversas áreas de arte, cultura e educação. Como ambientalista conquistou o título de Conselheiro das Águas, pelo então SRH, hoje INGÁ (Instituto de Gestão das Águas).

Título de Griô, Mestre de Cultura Oral (Ministério da Cultura). Autor dos cordéis “ABC da Boca do Rio”, “O Sebastianismo no Brasil”, “João Requizado, o Cangaceiro Solitário”, “A saga da Pedra do Bendegó”, “A peleja do Boi Valente Com o Menino Aboiador”, “Montalvânia, Uma Cidade Diferente”; entre muitos outros.

Autor de 12 livros publicados, e de mais quatro livros aguardando publicação. Também possui poemas publicados em coletâneas e revistas no Brasil e em Portugal, além de escrever roteiros e peças.

Desenvolve uma mistura do regional com o digital jamaicano, junto com o Coletivo RaggaMuffin e Dance Hall de Salvador, bem representados pelo letrista e cantor Russo PassaPusso e o Dj Raíz Seletor.

Idealizador e Coordenador do Projeto Boca do Rio Cultural, Casa da Memória da Boca do Rio, Projeto de resgate, preservação e difusão da história, cultura e meio ambiente da Comunidade da Boca do Rio em Salvador, Bahia. função que ele desempenha até os dias atuais; Um projeto que serve de exemplo para outras localidades.

 

 

Quando estou em silêncio

A única coisa que não trago em mim é Silêncio.

A solidão dos coqueirais me traz você

E nada é silêncio em meu calar

Nada há de quietude em minha serenidade

Só o sereno, trazendo chuva e saudade

Só a cidade…Rugindo louca e procaz

Quando me ponho em silêncio…

É a última coisa que tenho.

É a última coisa que trago.

Quando estou em silêncio choro calado

Sinto calado, grito calado…

Quando choro em silêncio…

Quando sou em silêncio…

só trago em mim…

Esse Lenço.

 

Wancir Sales_imagem1

Wancir Sales nasceu em Santo Amaro – BA. Pedagoga, editora, escritora, poeta e produtora. Lançou seu primeiro livro de poesias "Explicar o Quê?" em 2013 e o segundo, "Alma de Poeta", em agosto de 2014. Desenvolve um projeto social, voluntário, nas escolas das redes públicas e privadas de Santo Amaro com vista a fomentar e descobrir novos poetas.

 

SURDEZ DO MUNDO

 

Andar ao lado

Ficar parado, acanhado,

Ao lado,

Calado.

E vozes mudas a ecoar em um vento,

Num tempo que pára,

Que passa,

Tão apressado o tempo.

A surdez do mundo não ouve

O grito que desperta o galo,

Que levanta o vôo do pássaro.

Um grito surdo,

Tão surdo quanto teus ouvido,

Tão cego quanto teus olhos

Que me olham, mas não me vêem de verdade como sou,

Quem sou,

Não vê tal beleza exprimida,

Não vê tanta tristeza escondida.

Mal percebes minha presença,

Nem sentes minha ausência.

Todo o mundo

É surdo,

É cego,

Para o mundo

Em que se vive.

 

 

 

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Marlon Marcos, nasceu no Centro Histórico da velha Cidade da Bahia. Desde criança se apaixonou pela história de sua terra e sempre foi um adepto inteiro das religiões de matrizes africanas, sendo um filho de Iemanjá e Oxoguian, a quem reverencia vitalmente.

Um contemplador do mar e seus mistérios, sua escrita se auto navega porque se faz aquática. Um poeta de riso e lágrimas que valoriza a tristeza, mas adora a alegria. Tem um único livro de poesia publicado, o Memórias do Mar, nascido de textos escritos em seu  blog homônimo, deixou para lançar seu segundo livro de poemas, que já está pronto e teve a seleção feita pelo jornalista Claudio Leal, em maio de 2015.

Segue a vida como ávido amante da palavra, sendo professor, às vezes jornalista, outras vezes como pesquisador na área da antropologia, ciência pela qual é apaixonado e faz doutorado na UFBA. Um amante das linguagens artísticas que se norteia, fruindo, 7 artistas mais detidamente, os donos  e as donas de sua paixão: Clarice Lispector, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Fernando Pessoa, Billie Holiday, Hilda Hilst, Caio Fernando Abreu.

Marlon considera a poesia o seu mais importante caminho.

 

Arritmia

Algo acontece em acordo com o que vejo,

silencia o dia entre o frio da alma e o de Deus.

Concordata dos projetos da humanidade

sob as incertezas do tempo dançando.

O que vejo não é espelho para mim,

pois realiza o contrário do que sonho.

Ver deixa de ser sentir,

e a frase só se sabe em dificuldades.

Nada fala, tudo falta

ao desenho do coração sem sangue.

Mas não há morte ainda.

 

 

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Martin Salas Avila natural de Montería, Colombia, vive atualmente em Cartagena. É profissional universitário, advogado, ator, carinhoso, perna-de-pau, escritor, poeta, Naturovegetarista, ecologista e gestor cultural Afrocolombiano.

Diretor do Festival Internacional de Poesia e da Oficina de poesia Siembra na Cartagena das Índias, com experiência de 30 anos em gestão de projetos socioculturais, promoção da leitura e escrita através de oficinas e revistas. Com um grande sentido de pertencimento e identidade cultural com o Caribe. Autor de 4 livros de poesia, tem participado de Festivais em Cuba, Venezuela e El Salvador. 

 

 

CERRAREMOS LAS VENTANAS

 

— no le daremos tiempo a la muerte —

Qué nos podrá decir el viento

ahora que tan sólo somos penumbra

Nacer y no encontrar

el suficiente olvido

que nos permita abrir los ojos

No vienen las cosas al mundo

para ocultar el rostro de quien vive,

son las cosas las que permiten anunciarnos

en nuestra soledad

Cerraremos las ventanas:

Entonces, alguien se ocultará de dios…

y del mundo.